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domingo, novembro 09, 2003

O menino encantador de salamandras 

Diario de Imagens “Saudades de Antero”

Cena 1
Filho: “-Pai, olha uma flor de Lis amarela.”
Pai: “-Não é uma flor de Lis, mas é muito bonita, o amarelo é extraordinário!”
Filho: “-Eu sei que não é. As flores de Lis não existem. São as Fénix das flores. Mas e se fosse mesmo uma flor de Lis?”

Cena2
Pai: “-Podíamos fazer uma pintura os dois.”
Filho: “-Cada um pinta a sua tela ou pintamos os dois na mesma?”
Pai: “-Na mesma.”
Filho: “-Pintamos com amarelo. Amarelo como o da folha?

Cena 3
O pai sentou-se em frente ao cavalete e preparou uma tela.
Antes de começarem a pintar combinaram:

1- Cada um usa um só pincel.
2- Cada vez que tocamos na tela usamos uma cor diferente.
3- Não vamos tentar representar nada. O que acontecer aconteceu.

Pararam e recomeçaram.
Uma vez.
Uma e outra vez.
Uma e outra e outra vez.
Uma e outra e outra e outra vez.

Chegaram ao fim. Fim porque na tela já nada os chamava. O último toque foi desferido pelo filho. Uma pincelada única, uma estucada violeta fechou a pintura.

Afastaram-se e olharam o “quadro”.
-Pai, é a salamandra da piscina no Algarve.

Cena 4
O pai saiu da casa e foi andando à chuva. Parou no sítio onde o filho tinha encontrado a sua “flor de Lis”. Outra folha ocupava o mesmo lugar. Vermelha de mar. O vermelho que o mar tem nas pinturas de Turner ou quando está prenhe de sangue.
Uma Fénix?

Antes de a colocar na carteira dedicou-a ao seu menino encantador de salamandras.

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