sexta-feira, novembro 07, 2003
Good Bye LENIN!
Imagens no Diário de Imagens "Saudades de Antero"
No jornal "Público" de hoje, publica-se uma inquietante notícia.
Álvaro Cunhal terá escrito um artigo no "Avante!", teorizando sobre o Marxismo. Ao que parece, na sua dissertação, Cunhal deixou cair a expressão "Leninismo", como se advogasse uma espécie de regresso a um Marxismo "puro". Será que para Cunhal, "Good Bye Lenin"?
Perguntas?
Será Cunhal um renovador?
Que comprimidos lhe andam a dar?
Terá sido mesmo ele a escrever o artigo?
Será que os fantasmas de João Amaral e Barros Moura lhe aparecem de noite?
Será que vê com regularidade o Canal de História da TV Cabo?
Será que se correspondecom o Francisco Louçã (em morse ou sinais de fumo por causa das escutas) ?
Será que foi admitido no sector intectual do PCP?
Será que ainda vai escrever (como Freitas do Amaral), peças de teatro a inverter a marcha das suas convicções, estilo "A injustiça da invasão de Praga"?
Vamos esperar.
Aqui fica o artigo:
Cunhal Abandona o Hífen do Marxismo-leninismo
Por SÃO JOSÉ ALMEIDA
Sexta-feira, 07 de Novembro de 2003
Álvaro Cunhal afirma que "os princípios fundamentais do marxismo" mantêm inteira validade e deixa de falar em ideologia marxista-leninista no texto que ontem publicou no jornal do PCP "Avante!" e que é a sua contribuição para o Encontro Internacional organizado pela Fundação Rodney Arismendi.
O texto, ontem conhecido na íntegra, é constituído por oito pontos, em que Cunhal analisa a história do século XX e a história das revoluções socialistas e avança com ideias prospectivas do futuro.
E é precisamente falando sobre o futuro, no ponto oito, que Cunhal afirma: "O domínio mundial do capitalismo como sistema único e final teria como resultado e componente, segundo os seus teóricos, o 'fim das ideologias' e o 'pensamento único'. Trata-se de uma ofensiva global do capitalismo. O ser humano continua pensando. E o pensamento e a ideologia dos trabalhadores e dos povos oprimidos serão sempre inevitavelmente opostos ao das potências e classes exploradoras e opressoras. Princípios fundamentais do marxismo (filosofia, economia, socialismo), respondendo criativamente às mudanças no mundo, mantêm inteira validade."
Ora, falar do ponto de vista doutrinário em marxismo e em princípios do marxismo é uma novidade de monta nos textos e no pensamento de Cunhal e entra mesmo em contradição com tudo o que o PCP tem defendido e insistindo em manter no seu programa e na sua doutrina partidária.
Sublinhe-se que o PCP afirma-se, ainda hoje, como um partido marxista-leninista. Além disso, nos últimos quinze anos, o PCP tem vivido inúmeras crises internas, dissidências e abandonos de militantes, precisamente pela decisão da direcção liderada por Álvaro Cunhal, e depois da sua herdeira e apoiada por este, de manter a doutrina marxista-leninista.
Agora é o próprio Cunhal a surpreender o PCP ao afirmar que a luta do futuro deve ser feita pelos "princípios fundamentais do marxismo" e a deixar cair o marxismo-leninismo.
De resto, o texto de Cunhal tem outras novidades do ponto de vista do seu pensamento político. No ponto sete, ao falar sobre se a actual ofensiva do capitalismo é "irresistível e os trabalhadores, os povos e as nações estão condenados a submeter-se, ou se há no mundo forças capazes de se lhe oporem", Cunhal continua a defender que "os trabalhadores, os povos e as nações não podem aceitar que tal ofensiva global seja irreversível".
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No jornal "Público" de hoje, publica-se uma inquietante notícia.
Álvaro Cunhal terá escrito um artigo no "Avante!", teorizando sobre o Marxismo. Ao que parece, na sua dissertação, Cunhal deixou cair a expressão "Leninismo", como se advogasse uma espécie de regresso a um Marxismo "puro". Será que para Cunhal, "Good Bye Lenin"?
Perguntas?
Será Cunhal um renovador?
Que comprimidos lhe andam a dar?
Terá sido mesmo ele a escrever o artigo?
Será que os fantasmas de João Amaral e Barros Moura lhe aparecem de noite?
Será que vê com regularidade o Canal de História da TV Cabo?
Será que se correspondecom o Francisco Louçã (em morse ou sinais de fumo por causa das escutas) ?
Será que foi admitido no sector intectual do PCP?
Será que ainda vai escrever (como Freitas do Amaral), peças de teatro a inverter a marcha das suas convicções, estilo "A injustiça da invasão de Praga"?
Vamos esperar.
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Cunhal Abandona o Hífen do Marxismo-leninismo
Por SÃO JOSÉ ALMEIDA
Sexta-feira, 07 de Novembro de 2003
Álvaro Cunhal afirma que "os princípios fundamentais do marxismo" mantêm inteira validade e deixa de falar em ideologia marxista-leninista no texto que ontem publicou no jornal do PCP "Avante!" e que é a sua contribuição para o Encontro Internacional organizado pela Fundação Rodney Arismendi.
O texto, ontem conhecido na íntegra, é constituído por oito pontos, em que Cunhal analisa a história do século XX e a história das revoluções socialistas e avança com ideias prospectivas do futuro.
E é precisamente falando sobre o futuro, no ponto oito, que Cunhal afirma: "O domínio mundial do capitalismo como sistema único e final teria como resultado e componente, segundo os seus teóricos, o 'fim das ideologias' e o 'pensamento único'. Trata-se de uma ofensiva global do capitalismo. O ser humano continua pensando. E o pensamento e a ideologia dos trabalhadores e dos povos oprimidos serão sempre inevitavelmente opostos ao das potências e classes exploradoras e opressoras. Princípios fundamentais do marxismo (filosofia, economia, socialismo), respondendo criativamente às mudanças no mundo, mantêm inteira validade."
Ora, falar do ponto de vista doutrinário em marxismo e em princípios do marxismo é uma novidade de monta nos textos e no pensamento de Cunhal e entra mesmo em contradição com tudo o que o PCP tem defendido e insistindo em manter no seu programa e na sua doutrina partidária.
Sublinhe-se que o PCP afirma-se, ainda hoje, como um partido marxista-leninista. Além disso, nos últimos quinze anos, o PCP tem vivido inúmeras crises internas, dissidências e abandonos de militantes, precisamente pela decisão da direcção liderada por Álvaro Cunhal, e depois da sua herdeira e apoiada por este, de manter a doutrina marxista-leninista.
Agora é o próprio Cunhal a surpreender o PCP ao afirmar que a luta do futuro deve ser feita pelos "princípios fundamentais do marxismo" e a deixar cair o marxismo-leninismo.
De resto, o texto de Cunhal tem outras novidades do ponto de vista do seu pensamento político. No ponto sete, ao falar sobre se a actual ofensiva do capitalismo é "irresistível e os trabalhadores, os povos e as nações estão condenados a submeter-se, ou se há no mundo forças capazes de se lhe oporem", Cunhal continua a defender que "os trabalhadores, os povos e as nações não podem aceitar que tal ofensiva global seja irreversível".
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